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Brainstorming 2.0

Um blog que é basicamente um consultório de um psicólogo onde se fala de tudo sem restrições ou medos.

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Um blog que é basicamente um consultório de um psicólogo onde se fala de tudo sem restrições ou medos.

Não é apenas um animal de estimação, é um membro da família

   A minha coelhinha faleceu há uns dias. Ela que era tão destemida, tão independente e um osso duro de roer, capaz de impor respeito até a gatos com o dobro do tamanho dela, só mesmo um cancro para a conseguir derrubar. Um cancro que já se tinha espalhado e portanto já nada havia a fazer. Só mesmo nos últimos dias é que notámos algo de diferente nela, de resto continuava a mesma de sempre. A visita ao veterinário deu-nos a notícia que mais receávamos. 

   Ela estava comigo há mais de 4 anos. Em Janeiro de 2017 decidi que estava na altura de ter outro coelho, o meu coelho anterior tinha falecido há mais de um ano, estava numa fase menos boa da minha vida e achei que ter um animal para cuidar, acarinhar e a quem dar uma família era a melhor forma de me distrair e canalizar a minha energia para algo positivo. Quando fui à loja de animais, só restava esta coelhinha, a funcionária disse que no Natal todos os outros tinham sido levados, eram branquinhos e peludinhos, que é o que as pessoas mais procuram. No entanto, ela era cinza e branca, de pêlo curto, fazia lembrar uma lebre. Até a minha mãe perguntou se eu não queria esperar para poder ter mais opções de escolha. Foi aí que percebi que tinha de a levar comigo e assim foi. Nunca me arrependi.

   Durante anos foi uma fiel companheira, uma fonte de alegria, às vezes de trabalho mas era sobretudo uma das melhores coisas da minha vida e ver-me assim de repente sem ela, custa imenso. Desde a ida ao veterinário que sabia que ela não tinha muito tempo pela frente e estava consciente da possibilidade de ter de recorrer à eutanásia caso a situação dela piorasse mais. Durante 24 horas a minha cabeça não parou enquanto pensava na possibilidade de ter de tomar a decisão de pôr um término ao sofrimento dela. No entanto, mesmo no fim, ela decidiu tirar-me esse peso de cima, faleceu durante essa noite, provavelmente da melhor forma possível, em casa, no cantinho dela e em paz. 

   Desde então não há um dia em que não haja pelo menos um momento em que eu me desmanche num pranto. Estava tão habituada à presença dela que agora a mínima coisa me relembra que ela já não está entre nós. O facto de assim que acordava ter de a alimentar antes de fazer o que quer que fosse porque ela não descansava enquanto não lhe dava comida, soltá-la durante a hora das refeições e ela vir para junto de nós pedir para lhe fazermos festinhas com os pés, o ela adorar amendoins, banana e couve e ter de lhe dar sempre um bocadinho, o despedir-me sempre dela quando saía para o trabalho. Até o facto do canto da casa onde estava a gaiola dela estar agora vazio me faz vir as lágrimas aos olhos.

   No fundo, sei que foi o melhor tendo em conta a situação. Entre estar ela a sofrer ou sofrer eu por ela já não estar entre nós, prefiro sempre a segunda opção. Consola-me saber que lhe dei o melhor que pude durante o tempo em que estivemos juntas. Ela partiu e levou um pedacinho de mim mas eu fiquei com as memórias e enquanto as tiver, parte dela estará sempre aqui. Espero que onde quer que ela esteja, esteja bem, feliz e rodeada dos amendoins que ela adora.

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