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Brainstorming 2.0

Um blog que é basicamente um consultório de um psicólogo onde se fala de tudo sem restrições ou medos.

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It's not racism but...

Imagem retirada do Google Images

   Apareceu-me hoje esta notícia.

No final do passado mês de abril, a economia portuguesa tinha menos 50 mil empregos do que em fevereiro, dos quais 44,6 mil tinham pertencido a mulheres. Enquanto o emprego feminino teve uma queda de 1,9%, o masculino apenas recuou 0,2%.

   Sou mulher. E apesar da informação não me surpreender, ainda me choca.

Os jovens estão igualmente na linha da frente do embate da covid-19. Embora detenham menos de 6% dos empregos totais da economia, 38% dos empregos destruídos nos meses de março e abril eram de jovens, conta o jornal.

   Sou jovem. Pelo menos penso que com 28 ainda faço parte desse grupo.

   Portanto, tenho dois grandes pontos que me deixam em desvantagem a nível laboral: sou uma mulher jovem.

   Quanto à faixa etária, aquilo de que sofro mais é "falta de experiência". Para tudo e mais alguma coisa é preciso experiência, às vezes até para um mísero estágio. E sendo jovem não tenho muitos anos de experiência profissional.

    Relativamente ao meu género, já sofri na pele a "desvantagem" de ser mulher. Trabalhei durante alguns anos numa parafarmácia onde éramos várias mulheres e um homem (uns anos mais novo do que eu). No último ano em que lá estive surgiu uma vaga para gestor de loja. Penso que essa vaga nem foi divulgada. Isto porque o responsável das lojas daquela região fez uma visita à nossa loja e teve logo uma ligação com o meu colega. Começou logo por perguntar como é que um homem aguentava trabalhar entre tantas mulheres. Já tínhamos ouvido que para a vaga de gestor de loja pretendiam um homem porque "mulheres não têm mão firme". E foi assim que esse meu colega foi escolhido para preencher a vaga. 

   Não estou com isto a dizer que ele não tinha competências para aquela tarefa, estou apenas a apontar o óbvio: se não fosse homem, não teria progredido com tanta facilidade. Ele estava na empresa há 3 anos, mais meio ano que eu. Mas havia colegas que trabalhavam lá há 8 e 10 anos, sem qual quer tipo de evolução na carreira. E se uma delas estava satisfeita com isso, já a outra tinha mostrado imensas vezes vontade de evoluir dentro da empresa e nunca o conseguiu. Até que decidiu ir estudar Ciências Farmacêuticas para aumentar as probabilidades de ter um cargo melhor.

   É ridículo em pleno século XXI isto ainda acontecer. E pior, considerarmos isto normal. Porque não é normal pagarem-me menos, darem-me menos possibilidades de evoluir na minha profissão pura e simplesmente porque nasci mulher. E dou-vos exemplos: o meu pai e a minha mãe têm ambos o 6º ano de escolaridade, o meu pai ganha quase o dobro da minha mãe; eu tenho mestrado, o homem que me atura já há uns anos tem licenciatura, ele ganha quase o dobro de mim. As mulheres até podem investir mais na educação mas de que lhes vale isso se chegam ao mercado de trabalho e são consideradas inferiores só por não serem homens?

Imagem retirada do Google Images.