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Brainstorming 2.0

Um blog que é basicamente um consultório de um psicólogo onde se fala de tudo sem restrições ou medos.

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Friends - a reunião

    Foi uma grande amiga minha (daquelas que conheço desde o jardim de infância) que um dia, já há alguns anos atrás, me disse que tinha de ver uma série porque era mesmo a minha cara. Quando me disse que era de 1994 e tinha 10 temporadas disse-lhe para esquecer! Mas ela voltou a insistir, disse que eu ia adorar e para ver numa altura em que tivesse mais tempo livre. Então nas férias de verão seguintes, estava eu no segundo ou terceiro ano da licenciatura, decidi ver a série toda de seguida (acho que hoje se chama a isto binge-watching).

   FOI DAS MELHORES DECISÕES DE SEMPRE! Adorei a série, adorei as personagens e ainda hoje é uma das minhas séries favoritas. Se eventualmente apanho um episódio a repetir na televisão, fico a ver até ao fim. Existe comfort food e, para mim, isto é comfort TV.

   Quando soube que ia existir uma reunião de Friends fiquei entusiasmadíssima! Mal podia esperar para os ver de novo juntos, saber mais pormenores da série mas adiei um pouco para poder ver com calma num dia de folga e, principalmente, sozinha, para poder rir e chorar à vontade, e esse dia foi ontem. 

   Para começar, chorei logo nos primeiros 2 minutos, o que eu já esperava. Ver os actores a percorrerem os estúdios onde gravaram durante 10 anos e o estarem novamente todos juntos deixou-me emocionada. Depois voltei a chorar no final como também já previa. Claro que existiram pontos positivos e outros nem tanto.

   Fiquei triste com o estado actual do Mathew Perry e de não o terem deixado aprofundar a ansiedade que sofreu devido à série e o problema da adicção de substâncias. Penso que de certo modo podiam ter analisado mais a fundo as 10 temporadas da série, passaram tudo a correr, superficialmente, sei que era apenas 1 hora e 40 minutos mas as restantes personagens da série apareciam durante 1 minuto e desapareciam logo em seguida e por vezes senti falta de um fio condutor ao longo do episódio. Acredito que havia tanto para falar sobre os bastidores, a relação entre os actores, o impacto da série enquanto ícone cultural, adorava ter visto mais vídeos amadores das filmagens dos episódios... tanta coisa que sinto que ficou a faltar que quando terminou, soube a pouco. Também imaginava que a ideia deles é não voltar a fazer mais episódios ou um filme sobre a série, o que por um lado me deixa desiludida mas por outro concordo com a Lisa Kudrow quando referiu que o final foi tão feliz, positivo e ficou tão bem resolvido que para criar histórias para mais episódios era necessário desfazer esse final feliz. Não foi um final espectacular mas foi aconchegante e satisfatório, ao contrário de outros (sim, estou a falar do How I Met Your Mother...).

    Por outro lado, vê-los todos juntos, ver a relevância que a série tem ainda hoje, rir-me como se fosse a primeira vez com determinadas cenas, foi tão bom! Gostei imenso da revelação da paixoneta que o David e a Jennifer tinham um pelo outro nas primeiras temporadas, gostei de os ver a relembrar coisas que aconteceram nas gravações, dos vídeos amadores e os bloopers e da explicação do processo de criação da série e do casting dos actores. 

   Friends não é nenhuma obra prima, sei disso. Tem talvez uma das mais básicas premissas de uma série: é sobre aquela fase da vida em que os amigos são a nossa família. O que eleva a série ao ícone em que se tornou é a química entre as personagens, os actores e a relação que estabelecem connosco mesmo através do ecrã. Quando terminei de ver as 10 temporadas de seguida naquele verão em que ainda era uma estudante universitária que não sabia nada da vida (e hoje ainda pouco sei), senti que de facto me tinha separado de 6 pessoas que adorava, que eram meus amigos e que tinham seguido a vida deles, mas estava de coração cheio. 

   Li algures que após os ataques do 11 de Setembro e agora durante o confinamento devido à pandemia do Covid, a visualização de episódios de Friends aumentou significativamente. Provavelmente porque nos provoca uma sensação de bem-estar, porque é leve, porque é simples, é bonita. E é tão bom ver que 27 anos depois de estrear, há novas gerações a tornarem-se fãs e a perpetuar a influência desta série. E espero que quem dirigiu esta reunião liberte eventualmente as filmagens que não entraram para este documentário e outros vídeos antigos dos bastidores, porque fiquei com uma vontade enorme de ver mais!

Imagem retirada do site tvi24.iol.pt

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