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Brainstorming 2.0

Um blog que é basicamente um consultório de um psicólogo onde se fala de tudo sem restrições ou medos.

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Thank you and bye bye!

   Vi ontem a notícia de que 10% dos trabalhadores da Super Bock vão ser despedidos.

   Durante a pandemia tive de ficar em casa. Trabalhava em vários lares como profissional externa e estes proibiram a entrada de pessoas que não fossem funcionários internos do lar. Mas durante muito tempo fui explorada: tinha de usar o meu carro particular ao serviço da empresa, tinha de usar o meu computador pessoal porque não tinham computador para eu usar, não fazia as horas de almoço completas porque estava a trabalhar, fazia horas extra que não eram pagas nem entravam para o banco de horas, entre tantas outras coisas. Ou seja, fiz um grande esforço por aquela empresa, por vezes prejudicando a minha saúde e bem-estar.

  Apesar do lay-off ser terrível (refiro-me ao corte no vencimento e ao facto de estar em casa a trabalhar apenas 4 horas por semana), no auge da pandemia muitas pessoas continuaram a ter de trabalhar, o que pode ser ainda mais complicado. Ao que parece, os funcionários da Super Bock fazem parte desse grupo. Colocaram a sua saúde em risco para a empresa não parar.

   E agora parte deles são mandados embora sem mais justificações. É um sentimento de impotência e, de certo modo, arrependimento, então esforçaram-se por uma empresa num momento difícil para depois lhes agradecerem assim? De certa forma, compreendo-os, também sinto que dei muito de mim a uma empresa que nunca me valorizou e assim que as coisas ficam difíceis mandam-me embora (também porque é uma microempresa constituída apenas por familiares e a única "ovelha negra" lá era eu).

   Será que não havia outra forma de não mandar esses 10% embora? Reduzir os salários dos grandes gestores, por exemplo? Porque a mensagem que estão a mandar aos restantes 90% dos trabalhadores é que não vale a pena esforçarem-se pela empresa, ninguém está a salvo e de um momento para o outro podem ser despedidos. As chefias não esperem que os funcionários dêem o melhor de si quando não são valorizados e se sentem constantemente na corda bamba.

Imagem retirada do Google Images